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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sabe o que é difícil?


É não ler teus pensamentos, é não poder controlar a minha dúvida sobre eles, a minha vontade de te agarrar e não soltar nunca mais. É querer ser o teu mundo, mas ter medo de te dizer um eu te amo, e não saber ate onde eu devo. Essa frase é a única na terra que deveria ter passe livre sempre, em todas as horas e lugares, a única que nunca poderia ser censurada em qualquer circunstância, seja ela qual for. Sabe o que é difícil? É não saber o quanto você acredita ou percebe quando eu não falo nada, mais te olho profundamente, querendo ser parte da tua alma misteriosa, do teu corpo, do teu coração, da tua vida, enxergando depois da tua íris tudo o que você é, sem ao menos saber de fato. E respirando fundo o teu cheiro, o teu olhar, a tua voz, o teu medo, a tua independência e tua calma ao me olhar com carinho e com a serenidade de quem talvez saiba como o amor funciona, enquanto meu peito grita num desespero sufocante de vontade e de amor. Eu não quero ter que topar novamente com meia dúzia de garotas iguais nas baladas da vida, com olhares de caça, como se uma bomba fosse explodir todas as mulheres dali a alguns minutos e por isso você precisa ser beijada, cansei de bocas utópicas de sentimentos inexistentes. Eu quero você e toda a nossa vida, deu pra entender, é a sua historia que me interessa. Eu quero que o meu bom dia e vez ou outra algumas surpresinhas matinais, só pra não cair numa rotina, sejam a primeira coisa que você escute e veja ao acordar, assim como a minha avó que por cinqüenta e oito anos foi acordada pelo meu avô com café na cama todos os dias. Mas sabe o que é difícil? É acordar pela manhã com a tua presença tão distante, é perceber que você é uma parte necessária e dês de quando eu não sei, mas continue sendo, por favor. Já chega de cheirar postes a tua procura, já chega de baladas cheia de menininhas robóticas que fingiam ser você só pra facilitar uns 3 a 4 beijos. Chega de sentimentalizar pessoas que eu sabia que não eram você, mas que me queriam bem e por isso ficavam ao meu lado, chega de me arrumar pra ir a padaria porque talvez pudesse cruzar com você, chega de esperar você esbarrar em mim. Eu era uma fora da lei em bares sujos, brincando de muitos amores, sonhando com você baixinho, e agora tudo o que eu quero é entrar em lojas de conveniência contigo e comprar algumas guloseimas para irmos comendo no carro enquanto seguimos na estrada rumo a um fim de semana no litoral, ouvindo Alanis, Jazz, Bob Marley e Bossa Nova. Com uma câmera nervosa registrando cada gesto feliz. Eu quero parecer forte, eu quero parecer melhor, eu quero parecer um céu que eu nunca vi, só pra te fazer sorrir, só pra te fazer ver estrelas em mim. Sabe o que é difícil? É ter tanto medo de tudo, é me sentir um bichinho acuado quando qualquer mínima expectativa minha é frustrada e não acontece como eu esperava exatamente, é sentir a mínima dor e querer me afastar, te afastar, instintivamente. E logo depois sentir o peito vazio e inchado e sentir a dor silenciosa descer devagar pela minha garganta como se estivesse sem fim, sem fundo, pelo simples pensamento de ficar longe de você, e continua descendo, e então querer suportar qualquer dor dês de que eu possa te tocar, te escutar ao pé do ouvido, fechar os olhos e sentir teus cílios tocando o meu rosto e sua respiração entrando pela minha boca e os nossos lábios não precisando se tocar pra eu sentir o melhor beijo da minha vida. É não aceitar o porquê disso parecer superficial só porque aconteceu tão rápido e te ver segurando palavras, gestos e ter que me segurar na cadeira, tentando ver em que parte do muro invisível nos estamos e se falta muito pra sermos tão transparentes e espontâneas o suficiente para nos sentirmos em casa, uma dentro da vida planejada da outra. É me sentir de mãos atadas, me sentir a beira do precipício, fraca, e me sentir louca e pedir perdão para as mulheres perfeitas porque eu falhei. É querer demonstrar tudo de uma vez, mas não saber até onde posso sem te assustar ou te afastar e não entender porque o amor assusta tanto, e ele me assusta sim e eu recuo, eu sofro, eu me arrependo de recuar e eu choro a tôa, eu choro sem barulho e passa, e eu corro desesperada em busca dos teus braços que vão me dizer que tudo passou e que estamos bem, e então me sentir nova, me sentir divina, me sentir parte do mundo, imbatível, cheia de defeitos engraçadinhos, cheia de amor no coração, me sentir leve e me sentir em paz com o mundo. E resolvo ficar só comigo por umas horas, mas acabo falando com algumas pessoas pela internet que me mostram uma visão de fora, aquela que a gente nunca vê, e de repente aquela vontade de socar o mundo só pra sentir a mão doer e latejar e lembrar que você ta viva e esquecer que o mundo não é bonzinho e que alguém sempre merece um soco da vida pra lembrar disso e então querer o teu colo pra esquecer de tudo. E eu sei que isso tudo faz tanto sentido mais quando a gente resolve falar parece meio louca. E depois de terminar esse texto, não precisa dizer nada, eu sei, eu já sei que nasci tarde, sou exagerada, louca, imatura, superficial, confusa, mas apaixonada, apaixonada por você. Loucamente. Sabe o que é mais difícil? É não poder dizer isso olhando nos teus olhos agora, e ao invés de te escrever, eu iria te beijar, mas então se a vontade apertar fica tranqüila, prometo segurar o sono até você chegar.

sábado, 25 de junho de 2011

Tudo que não esquenta




A falta escancarada é no mínimo estranha. Não o amor em sí, nem o fato de não amar uma pessoa específica. Amo e valorizo tudo o que passei e amo cada parte da minha história, mas o fato aqui é de não estar apaixonada por ninguém. Coração vazio é a oficina do diabo, então com a autorização do dono, senta ai, afasta os cacarecos e vamos tomar um chopp . Isso poderia significar coração tranqüilo, mas é então que um defeito geneticamente feminino chamado estado de hiper afetividade, ataca todos os meus poros e veias, é como se eu estivesse meio surtada e oca. Eu deveria mesmo era estar cagando pra tudo isso, afinal tantos cotovelos latejando pelo mundo afora, tantos nãos, tantas decepções, medos, ciúmes, inseguranças. Eu deveria acender uma vela e relaxar no sofá, livre de cada gosto azedo de medo entre um sorriso apaixonado e outro. E eu descubro que eu estou realmente cagando pra tudo isso, mas é pra tudo isso que é morno, que não ferve, não pulsa, não respira, nem se nota. To cagando pra tudo que não faz o sangue ferver, o coração ferver, com troca de olhares profundos que interfere por um momento no bom funcionamento dos seus pulmões dificultando a passagem do ar, aqueles palavras tão desejadas que são faladas quando você menos espera, novidades e descobertas a cada reencontro, beijos ardentes após uma briga, aquele telefonema tão aguardado que ainda consegue te pegar de surpresa, um simples telefonema inesperado é uma afronta ao aquecimento global. Quando eu era criança e algo dentro do meu estômago não estava muito bem, minha avó me dava água morna para eu vomitar o que estivesse me fazendo mal. Agora entendo porque o morno embrulha o estômago. Depois de faxinar desilusões, arrependimentos, frustrações, eu sinto agora esse morno, estou perdida nesse meu autocontrole. Quero sim soluçar e desmoronar ao som daquela canção que parece ser feita por encomenda, quero perder esse autocontrole excessivo, e depois reclamar que estou vulnerável, mas ai logo em seguida por a mão no rosto fingindo que estou preocupada para poder sorrir, feliz sem que ninguém perceba que é na verdade porque eu estou lembrando de alguém que é importante o suficiente para me fazer sorrir boba pro mundo, pro muro, pro poste,pro nada, pro velho na esquina comprando seu jornal pela manhã enquanto eu ando pela rua com roupa de noite, um resto de maquiagem tímida e um pensamento longe. Quero surpresas, gargalhadas, choros, compras no supermercado, dividir o cantinho apertado do sofá mesmo quando todo o resto esta desocupado, quero um bom dia, dividir um sorriso, café da manhã e tudo o que a vida tiver pra me aquecer. Menos que isso não basta. Meu estômago dói, mais eu prefiro, não quero mas ter que continuar vomitando um meio termo pra essa vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pesa e pende


Esse é um daqueles dias de desejos contrários. Querer odiar tudo a começar por você, querer ferir, querer sangrar, querer desligar. Não quero que me passem a mão na cabeça, pelo menos não hoje. Tudo parou, tudo esta congelado, tudo pede passagem, e passa... E eu só digo vai, fere, cospe, mas ignorar não, isso não, por favor. Preciso preencher meu ego, de orgulho ou de ressentimento, que seja, não me prive desse último desejo. Não leve tão a sério meus desabafos cortantes quando você não os quer, quando você não precisa deles. Só eu preciso, só eu preciso mergulhar nas minhas palavras vomitadas e tardias. Mas caso queira levar ao pé da letra qualquer descaso, não esqueça que eu desejo o melhor pra você em qualquer situação, até naquela em que eu queria gritar com você, te empurrar com pequenos socos, ate você me abraçar, te mostrar que por muitas vezes eu sou mais em você, um amor que sempre reacende e você sabe, porque sempre foi assim e nós sabemos, só nós, de nós, por baixo de tudo,por dentro de tudo, porque tudo estava alí, mas eu quis te amar por partes,lugares, épocas e continuarei assim, porque eu sei que se eu te encontrar em ruas sujas e por qualquer coisa precisar de você, você vai cumprir com o que prometeu. Lembra? você disse que sempre estaria aqui. Não me abandone quando eu mais preciso te esquecer pra poder não deixar de te amar, pra te ver nascer de novo. Me ajuda a saber viver sem te ter. O normal seria que eu tivesse um peso na consciência por ter sido omissa nos momentos que te tive sutil e intensa, talvez eu tenha, talvez eu entenda que eram só aqueles os nossos momentos eternos e intensamente felizes. Eu só lamento não poder te amar mais do que nossos limites e nossos encontros loucos.Põe o agasalho que a noite ta fria, me abraça forte até eu esquecer que te amo e volta no ano que vem pra me lembrar que somos uma da outra, lembrar que você sempre estará aqui por perto, por dentro.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A estranha do Sul


To aqui há horas, aliás lá, dês de que ela me olhou algo diferente aconteceu. Não sei onde aconteceu, em que parte dela ou de mim. Se eu soubesse era a mulher mais feliz do mundo. Tudo, menos isso podia me acontecer, mas não deu tempo de pensar, as coisas da vida costumam chegar me dando rasteira, voadora. É como se fosse um favor forçado sabe, um sorriso amarelo que a vida te da às vezes, só para que de vez em quando você se lembre porque ainda esta por aqui e assim, continue por aqui. Você sente o soco no estômago e não respira, nem quer, nem precisa, nem sabe mais. Alguns segundos mágicos deram início a uma sucessão de acontecimentos estranhos, pelo menos pra mim. Tudo ao redor parecia normal, acordei bem aquele dia, dormi a noite toda. O sol estava na sua merecida folga da semana, só eu não merecia ter que levantar da cama naquele frio tão perfeito. Entre deuses e santos a chuva caia. Levantei meio automática e passei o resto do dia também assim. E aquela linda canção de Nana Caymmi me fala agora de Santa Catarina. Ela podia falar sobre tudo, mas falou exatamente sobre você, sobre o seu lugar, sem que ninguém sequer perguntasse, sem que eu esperasse o nome surgiu na canção. Foi de onde ela veio, pra me lembrar que ainda tenho algum brilho dentro dos olhos, dos pulmões, do estômago fraco, da voz,da cabeça confusa,só pra isso e mais nada, e depois ir embora de volta pra sua terra. E então com tudo isso, essa música justo agora, depois dessa noite, deitada meio torta na cama, com o notebook no colo embaixo de uma luz fraca, maquiagem por tirar, ponho justo essa entre milhares, será que sou somente eu ou você que parou nesse texto também acharia isso muito estranho. Total perca de tempo do departamento de coisas do destino, já que não acredito em coincidências, sobre uma pessoa que bem provavelmente não vou ver nunca mais. E digo isso exatamente para convencer meu inconsciente a não criar expectativas platônicas, fingindo eu que ele ainda não as tem.Eu quis fazê-la rir e consegui, eu olhava, analisava o cair dos cabelos desalinhados, o enrolado tímido nas pontas, podia ser o olhar, se não era isso, era algo bem perto, bem perto mesmo. Ou poderia também ser algo na voz, sim é claro, era a voz, tenho certeza, tinha alguma coisa naquela voz e eu não me refiro ao sotaque, era a forma como se dirigia a mim, me lembrando tudo o que eu já quis, sempre quis e estava esquecendo. Senti vontade de chorar, senti vontade de acreditar de novo, senti vontade de esperar de novo pelo amor perfeito e irreal, aquele mesmo, como o que ela provavelmente daria, bem na minha frente. Aliás nem sei se era amor aquilo que ela carregava no peito cansado, nem se ela era real ou eu imaginei tudo isso. Se ela realmente não brincava de amar,vai saber, e talvez e com um coração tao vivido e decidido como o seu olhar sério que sabia ser simpático sem sorrir. Ninguém chega pra dizer “Olha! se prepara porque alguém vai aparecer daqui a alguns minutos, sacudir teu desespero sufocado e ir embora”, como assim, qual a parte da placa “bata antes de entrar” esta sendo ignorada? Agora sou eu que sorrio amarelo pra vida, eu dou toda a atenção que eu não tenho às pequenas e bem formuladas frases que ela dirige a mim. É como se ser somente cordial não bastasse, me fosse muito pouco. Apesar de respeitar formalidades, preciso morrer de uma agonia sufocante pra poder reviver e se essa agonia vier assim. Se for como um amor eterno, imaginario ou mesmo platônico, fugaz e passageiro, que seja. O que será de mim, que não te decifrei e você já se foi.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A imagem



A última vez que a vi ela estava alí, dentro da banheira quase sem água, nua, fumando um cigarro, de brincos como sempre. Eu sei de tudo, eu continuei a limpar o borrado da maquiagem, a passar o batom na frente do espelho que a refletia e não me deixava sair totalmente daquele espaço apertado do nosso banheiro, lembrando de algo que sempre esqueço e me pergunto porque nunca escrevo em um papel afinal, no fundo é pra sempre depender de você, você sempre lembra por mim, pra mim, mas não te perguntarei, não dessa vez. Você acende outro cigarro, não pretende sair dali tão cedo, era proposital, o seu olhar concentrado no celular ao lado lembrava a quem quisesse saber que tudo já passou. Em algum lugar no tempo eu estava alí, junto, sem roupas, sem medo e sem tristeza. Você fica na banheira, eu pego a bolsa e as chaves, por favor não esqueça de alimentar o cachorro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Doces ou travessuras


(foto-autor desconhecido)


Se você amasse como corria com o pé enlameada pela rua, tentando tocar e paralisar alguém. Se você sentisse a dor com a disciplina de quando sabia que já era hora de voltar pra casa. Se você planejasse como se não precisasse, apenas pelo simples e leve fato de querer. Se você nunca tivesse deixado de acreditar que cavalos de fogo viriam, que bolas quadradas chegariam num trenó. Que você não precisaria lutar, nem se cansar, o universo inteiro estava no seu quintal e tinha tudo o que você precisava para ser feliz. E se quando você voltasse ele estivesse daquele mesmo enorme tamanho de anos atrás. Se cada aprendizado, cada dor, cada experiência conseguisse nos mostrar nos mínimos detalhes como é importante guardar a salvo o menino que dorme no nosso peito e levanta para brincar de vez em quando. Se o nosso coração soubesse quantos “Se’s” seriam necessários para formar uma certeza, não precisaríamos ter tanto medo dos riscos, das palavras, dos gestos, dos passados. Se falar tudo sem ter medo fosse saber viver, por serem apenas palavras, e são apenas lágrimas, e são apenas medos, e são apenas tudo um grande parque de diversão e na pior das hipóteses você andaria mais de uma vez naquele trem fantasma e você não teria medo de não chegar ao fim rindo de tudo. Que essa quantidade de doces que você tem nas mãos agora, seriam para presentear aquele, aquela, qualquer um, como o mais singelo dos gestos simples, porque era de coração,mesmo que só tivesse te custado algumas moedinhas, mas ninguém ligava pra isso, e ninguém chorava a não ser por mais doce. E esperando que o mundo fosse um grande quintal encantado e que ser criança não fosse uma fase, mas uma solução, uma saída.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A nova cor


Ela me seguiu.A colombina, a bailarina, a garota que gostava de coelhos e cartolas. Ela dobrou a mesma rua, ela entrou no elevador, ela segurava seu yorkshire na mão esquerda. Eu falava ao telefone e pedi um pouco de silêncio a minha hiperatividade. Ela me olhou até me calar, justo ela, justo eu. Queria descer mais alguns andares além do térreo para ver até onde aquilo ia dar e continuar a fingir que não via. Sai com pressa de lugar algum, de um teto, de um pouco de asma, ela encheu meu pulmão de ar. Foi tão rápido que eu não percebi que era pra mim, dês de o começo. Eu espero.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Só me escuta


Sabe como ela chegou, respeitáveis leitores?! Ela não chegou, ela só esteve lá no canto dela. Só escuta. Eu sei que vai parecer loucura, mas juro que eu não queria. Que loucura o que, é claro que eu queria, queria e pronto, quero, não decidi e não controlo. Se tem uma coisa que detesto são meias palavras. Se for pra meter os pés pelas mãos que seja com todas as palavras a que tenho direito. Agora só o que falta é você me achar desnorteada, inconstante, descomedido. Então pegue a senha se for começar. Deixa eu tentar não andar sempre dois passos depois de mim, e quatro depois de quem interessa. Não senta não, fica ai, quero parecer menor, não quero correr o risco de desmoronar. Além do mais, acho que vou ficar sentada aqui mesmo nessa grama verde. Não tem erro, pode crer. É seguro e é verde. Parece meio irônico, ser justo verde, a cor da esperança. Só dois goles e pode esperar que vou temer derramar a mais inútil emoção pelo meu rosto, do canto do olho à aquele canto que se esconde no canto do meu pescoço, e logo em seguida tremer as cordas vocais tanto que nem eu me entenda. Espera, não me abrace agora. Sei que é exagero, por isso não espere nada menos que um exagero constrangedor vindo de mim. Suas surpresas me inquietam, penso em todas, de todas as formas possíveis e você pode simplesmente não estar presente quando eu falar. Não ousei tentar pensar no que dizer no caminho, ensaiar ou decorar. Não ousei fingir que você estava do outro lado do espelho. Não seria justo comigo nem com você, não poder deixar o meu coração falar da sua forma mais inédita e original possível. Fica comigo! Você não entende. Você é o meu pior pesadelo em forma de ironia da vida. Você vai entender tudo, me escuta. Só senta, só fica segura, seja somente você, a porcelana, tão fotografia de fim de tarde, sempre se emoldurando, tão flores e chá na varanda, tão mulher, que uma só já te basta, você. Senta aqui, esquece o que te disseram. Só levanta depois que alinharmos nossas épocas. Não sei de qual você veio. Mas relaxa, esquece que eu to agindo como uma louca, faz de conta que não faço idéia de onde é a sua praia, esquece todas as praias e bandeiras, mergulha e faz essa tarde valer à pena, nem que seja só por essa tarde.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eu já esperava por você


Vamos, chega logo, acaba com essa tortura. Chega pra que eu possa dizer eu já sabia que um dia eu iria te conhecer. Acaba com a minha paz. Vem com a entrada pra um novo mundo, novas aventuras. Fecha os olhos e não fala nada até que eu termine de formar toda a sua personalidade, caráter, prato preferido e histórias de vida na minha cabeça,conforme a minha imaginação mandar. Me dá um pé na bunda, mas espera eu pensar no nome dos nossos filhos primeiro. Me espera te imaginar ao meu lado criando eles e sentir que estou como mulher cumprindo o meu papel inevitável de idealista...ai sim. Me livra de toda cheiro de lavanda, porque com certeza eu vou estar cheirando a lavanda, eu vou estar com um cabelo respeitável e um sorriso de miss. Por isso eu vou te implorar, chega logo e me da um banho de angústia e lágrimas limpas e novas, novas em folha. Nunca mais as lágrimas guardadas e reutilizadas. E eu vou te idolatrar por isso. Me tira toda a culpa ou me culpa mais ainda pelos amores que eu não correspondi. Me ensina uma outra forma de querer. Me faz ter novos planos, sonhos e projetos. Me ensina que eu posso, que eu sempre posso e que não depende de você ou de outro coração qualquer, mas de mim e só de mim.Cuspa para o lado, dê de ombros e me deixe descobrir de novo o meu caminho, minha capacidade, meu sorriso livre. Leva a minha moral, meu orgulho, leva a minha vergonha, minhas calcinhas velhas. Compra uma passagem para a frança e me diga “au revoir" da forma mais brega que você puder e conseguir transformar nossa vida intensa e dramática. Não olhe para trás, tenha um pouco mais de fibra. Nesse dia eu vou desabafar, vou dar uma festa, vou convidar quem já não fazia diferença, e todos que sempre fizeram. Vou levar seu sorriso debochado da estante para o cesto embaixo da pia e me deparar com estranhos alí na minha cozinha com seus copos de bebida, cada um tentando te afogar do seu próprio jeito, tentando te esquecer em risadas embriagadas, assim como eu, tentando esquecer as tuas milhares de faces. Vou beber até cair, sentar e ajoelhar. Vou paquerar desaforadamente alguém que finge me amar, que engana a si mesmo, porque é você que ela ama, porque todos te amam. você esta em todos os lugares, você sabia disso? Se há alguém que ainda não sabe do que estou falando, é porque não te conheçe, ela ainda vai um dia encontrar você. Eu um dia vou encontrar você. Você é um ítem obrigatório na experiência de vida de alguém. se alguém ainda não passou por você, não sabe ainda o que é existir, não está completo. Vou chorar descaradamente na porta do banheiro enquanto alguém não sai. Enquanto você não sai, não sai da minha vida. Entra logo, pra que eu possa prosseguir.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tempo da perfeição



Depois de um dia cansativo eu abro a porta do meu quarto e uma rosa vermelha em cima do meu travesseiro me faz achar que você esta no quarto ao lado. Eu corro, eu rodo a casa em passos largos e ansiosos e você não esta em canto nenhum, e não me pergunte o porque, mas eu sei que foi você, tenho certeza. A minha respiração ofegante vai amenizando, silênciando, me lembrando da baita fome que dá depois do trabalho no finalzinho da noite, me lembrando que eu não posso recair e tenho que segurar o choro. "Melhor assim". Então, respiro aliviada. Entro novamente no quarto e o teu notebook esta em cima da minha cama e me faz achar que você esteve por aqui, não sei qual hora, não sei o que eu fazia no momento, não sei porque. A toalha que você esqueceu pra me lembrar que você é parte de mim, de repente esta molhada, me relembrando que o vermezinho que se alimenta do nosso amor foi a parte que me coube da partilha. Eu te mando embora e você vai, e sai resmungando e me culpando de todas as desgraças do mundo, sendo que minha única e verdadeira culpa é não saber te amar. É não esquecer que não da certo. É não saber me controlar. É repetir os passos insanos e afundar o pé. É não saber se te beijo ou não, enquanto você me dá banho como se fosse uma espécie de redenção a todos os banhos com gelo, com sal e com aquele climão pra te tirar da embriaguez. Deixa a minha caixa de mensagens respirar. Eu sou apenas a lata do lixo e o vermezinho roedor não te faz companhia, não esta ao teu lado entre a respiração cansada e o travesseiro cheiroso. Vai, vai logo, mas deixa a flor dentro do copo pra eu olhar e lembrar que você existe. Que não há só vulgaridade nesse mundo. Que ainda existem mulheres de caráter. Ainda existem mulheres de coração puro e honesto, caso um dia eu queira sair de novo na rua. Quem sabe um dia nos encontremos naquele tão aguardado e falado tempo da perfeição. Perdoa os buracos que faço e refaço na tua cicatriz. E que o amor cuide de nós... por onde formos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sem neurose por favor


Me sinto feliz por não ser uma daquelas mulheres neuróticas que ficam do lado do telefone e que imaginam o celular vibrar de 5 em 5 minutos e olham só pra conferir. Que não esperam um pedido de casamento no segundo encontro. Que não se imaginam não conseguindo mais viver sem a pessoa no terceiro encontro. Mas queria tanto te ver agora. Queria que você estivesse mais perto ,tão perto que eu não me encontrasse. Queria te desvendar num bom vinho a meia luz embaixo da lua. Queria esbarrar meu pé no teu essa noite, mas acho que só vou esbarrar nas minhas mãos amarradas.Vou ver aquela tua desordem engraçada e rir sem sentir o ventinho do teu sorriso no canto direito da minha nuca ao me acompanhar. Sentar em um café e ver como o teu rosto tem uma nuance bonito quando o sol pega ele nesse ângulo assim meio pro lado. Seu sorrisinho charmoso fechando a boca pro lado e sorrindo com o nariz. Os músculos do teu rosto inteiro se movem proporcionalmente, e a tua testa franze acompanhada de um olhar pedindo carinho, que desarma qualquer outro compromisso. E eu quero congelar na minha melhor fotografia e ter pra sempre um pedido teu no móvel ao lado da minha cama. Quero os teus enganos, e não vou cansar de querer até eles serem todos meus. Quero rir do teu jeito de falar infantíl pra me mostrar o quanto é singelo a sensação da nossa presença. Sentir teu olhar falando sozinho, todo particular, sem nenhum medo do meu não estar participando da conversa, pois não faz diferença, não é o teu ego, é teu coração, eu sei, eu vejo. É como aquela vez, olhando você cair desastrada do canto da cama e rir achando que nada no mundo pode competir com aquilo, nenhuma luz de velas, nenhum pôr do sol na praia, nenhuma palavra, grito, risada ou sussurro. Olhar as primeiras letras do meu nome cravadas nas tuas costas, num adeus desesperado, rasurado. Me ver indo embora e as minhas iníciais ficando pra sempre na tua pele e mergulhar nelas toda vez que lembrar de você indo e o telefone não tocando, e eu não olhando, não esperando, não vendo nossa casa, carro, filhos, piquenique de domingo, zoológico,criança lambuzada de sorvete, alguém surtando, cobertor quentinho com vários pezinhos pequenos roçando nos nossos. Tudo isso que sempre sonhamos,falamos, preso em 2 inícias tatuadas em uma costela, em um tornozelo, em uma alma. Poise, me sinto feliz por não ser neurótica, por esperar tudo explodir por dentro, calada, anestesiada. Bem-vindo amanhecer. Seja você bem viva, enquanto eu existir, seja onde for.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Enlouquecendo mais do que deveria


A solidão chega e eu tento me acomodar melhor no sofá. Me cubro dos pés a cabeça na esperança que a minha capa invisível me proteja de mim mesma, de você, do mundo, dos telefonemas, das atualizações na internet, das tuas fotos. Eu quero você pra mim, mas preciso de espaço pra não depender só do teu amor, quero tuas frases e gestos românticos, mas morro de medo de te ligar, porque não vou saber o que fazer se não ouvir depois que já quero tanto. Mas se eu ouvir de fato, vou ter ganho você e querer bater a cabeça na parede, porque vou te amar desesperadamente e vai doer pra caramba. A porra do medo do futuro vai doer no meu corpo inteiro. Vou beijar o travesseiro enquanto você não chega, e vou querer me ter de volta porque descubro que já estou completamente sua e não quero ser sua, porque significará que não sou mais minha, e eu sou o meu único porto realmente seguro. Eu não vou saber o que você pretende ao me amar, e nem sei se eu vou te amar pra sempre, e caso eu não te ame pra sempre, perdi um tempo filho da mãe beijando paredes com saudades de alguém que não era nem o amor da minha vida. Afinal como eu vou saber que você não vai mudar, me decepcionar. E como eu vou saber se é isso sem me deixar completamente vulnerável pra me estrepar inteira e ser esmagada por um trator de sentimentos. Se essa capa funcionar você não vai me encontrar, nem meus CDs escondidos da Bethânia, que eu me recuso a ouvir agora só pra não pensar melhor em você a cada palavra “malditamente” enfeitiçada que vai me fazer te querer mais e ter mais medo de não te ter. Eu que não queria ficar ocioso, falhar, nem chorar, de repente me vejo acordando cedo pra tomar café. Ainda acho acordar cedo uma merda. Mas quero ter mais tempo pra pensar em você e não quero desperdiçar um minuto dos meus sorrisos insistentes, nem minha asfixia de músicas imoralmente melosas que a um tempinho atrás passavam despercebidas por mim. Ainda acho que romantizar um “me passa o sal”, ou um “oi, como você está?” ou mesmo uma ligação inesperada, é desnecessário demais, mas de repente aqui estou eu deitada no sofá embrulhada na minha capa protetora do mundo certinho, da grama sempre mais verde do vizinho, do vento que não desregula, do pai que se agacha pra abraçar o filho na entrada de casa, do carro novo do seu amigo, dos novos cortes de cabelo da moda, daquele cheiro bom de quem acabou de sair do banho, ouvindo Norah Jones, tentando ser o meu próprio mundo dentro de você. O tempo gasto fingindo que os CDs melosos não estavam ali, e que se estavam por alguma razão eu era mais forte que qualquer sentimento incontrolável, pra que? Parece mesmo que não tem como fugir, você tenta mais só o que pode fazer é ouvir as porras das músicas melosas. Eu mato o filho da puta que ganha dinheiro incentivando o suicídio emocional alheio. Ainda to deitada no sofá, ainda sorrio bobo, ainda entro em um transe oriental com as benditas, ainda romantizo coisas aparentemente sem sentido. Faço planos e espero, espero levar um tombo e cair de cara na sarjeta, ou então que você me tire debaixo da minha capa e me traga de volta ao mundo suicida, totalmente admissível quando é ao seu lado, e me sirva um chocolate quentinho na varanda fria no clarear da manhã enquanto planeja me amar para sempre.